domingo, 20 de janeiro de 2019

Perfeccionismo


               Quando ouvia de alguém que se declarava perfeccionista, ou mesmo, quando alguém se referia a outrém como muito perfeccionista, dava a entender que essa pessoa era muito boa no que fazia e, que segui-la seria muito difícil, tamanha a exigência de perfeição.

              Entretanto, Brené Browm descreve em seu livro a Coragem de Ser Imperfeito que o perfeccionismo está ligado a estagnação, a sentimentos de ansiedade e depressão e que,  não nos ajuda a avançar na vida.

               Progredimos  quando nos aceitamos como somos, ou fazemos, iniciamos algo como ou com o  que temos ou do jeito que somos, esperar melhorar, ou ficar perfeito isto não existe, é perda de tempo, precisamos caminhar, se vamos a pé, de bicicleta, de carro ou avião pouco importa, importa que avancemos na vida, como os nossos sonhos e projetos.  

                Isto não quer dizer que devamos ser relapsos, ao contrário, devemos partir para a ação, buscar a excelência, em vez de  ficar esperando a coisa ficar melhor ou perfeita.


Célia Almeida
              
 

domingo, 19 de agosto de 2012

"Pitbull dos EUA Ameaça Assange" - Opera Mundi

Desde o ultimado da Grã-Bretanha sobre a embaixada do  Equador para entrega do Julian Assange, na última quarta-feira dia 15/08, que tenho compartilhado as notícias que explicam bem o caso, para que você , leitor deste blog, possa  se integrar dos fatos, sem precisar fazer muitas pesquisas. Assim sendo, segue mais um compartilhamento que resume bem a situação do criador do  Wikileaks :


" Visão do cartunista Carlos Latuff para os esforços do Reino Unido pela extradição de Julian Assange "

                

Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/opiniao/23775/pitbull+dos+eua+ameaca+assange.shtml?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

sábado, 18 de agosto de 2012

Caso Assange


A situação de Julian Assange tem colocado a diplomacia em xeque, foi agraciado com o asilo, mas está impedido de usufruir. Compartilho aqui a reportagem do Estadão que explica bem o caso.

Entenda os possíveis desfechos do impasse para Assange

Criador do WikiLeaks recebe asilo político do Equador mas pode ser preso caso deixe embaixada

16 de agosto de 2012 | 14h 48




LONDRES - Criador do site WikiLeaks, que no ano passado divulgou milhares de documentos confidenciais da diplomacia norte-americana, o australiano Julian Assange é o pivô de um impasse diplomático envolvendo o Equador, Grã-Bretanha, Suécia, Austrália e Estados Unidos.
Julian Assange pode ser preso se deixar embaixada - Stefan Wermuth/Arquivo/Reuters
Stefan Wermuth/Arquivo/Reuters
Julian Assange pode ser preso se deixar embaixada

Ainda em 2011, após ter sua prisão preventiva decretada pelos EUA, Assange, que vivia na Suécia, foi acusado de estupro e assédio sexual contra duas jovens. Morando na Grã-Bretanha na ocasião, teve sua extradição solicitada pela Justiça sueca.
Após um período de detenção e uma série de audiências, o australiano obteve liberdade condicional, mas antes que as cortes britânicas decidissem se ele seria enviado para Estocolmo, decidiu buscar refúgio na Embaixada do Equador em Londres - país para quem também pediu asilo político - onde está desde o dia 19 de junho.
Nesta quinta-feira o governo equatoriano aceitou o pedido, mesmo depois de ter sido "ameaçado" pela Grã-Bretanha, cujo Ministério das Relações Exteriores indicou a possibilidade de ordenar que policiais invadam a embaixada para prender Assange e enviá-lo à Suécia.
O caso deu início a uma série de rusgas diplomáticas envolvendo os dois países diretamente. Também envolveu de forma indireta a Austrália, país natal que, segundo Assange, vem falhando em lhe proteger, e os Estados Unidos, para onde ele teme ser entregue pelas autoridades suecas.
Entenda os possíveis desfechos para o impasse:
1. Assange consegue o salvo-conduto e torna-se asilado político. 
Mesmo após ter recebido asilo político, o australiano só pode deixar a embaixada e chegar até um avião caso a Justiça britânica lhe conceda uma autorização, conhecida como salvo-conduto.
Embora já tenha se manifestado contrária à medida, a Grã-Bretanha pode mudar sua posição, o que daria a luz verde para que ele chegue ao Equador, onde poderá viver livremente e até mesmo receber a nacionalidade equatoriana.
De acordo com a Convenção de Refugiados, de 1951, da qual Equador e Grã-Bretanha são signatários, todos os países são obrigados a oferecer asilo a pessoas que correm risco de morte, perseguição política ou danos graves caso sejam entregues a outras autoridades.
No caso de Assange o asilo é "diplomático", pois ele busca proteção de outra nação mesmo permanecendo em território do país onde é procurado pela Justiça.
Ele diz ser alvo de perseguição política e teme ser entregue aos EUA, onde poderia sofrer pena de morte. A mesma convenção, no entanto, argumenta que uma pessoa perde o direito de asilo caso se comprove que tenha cometido um crime grave que não seja de natureza política entes de solicitar abrigo.
Estupro e assédio sexual, acusações que Assange enfrenta na Suécia, são crimes que se enquadram nestas características.
Ainda de acordo com a Corte Europeia de Direitos Humanos, países da União Europeia são proibidos de realizar extradições para países em que um cidadão pode enfrentar a pena capital.
2. A Grã-Bretanha mantém a posição de negar o salvo-conduto. 
Nesta quinta-feira a Grã-Bretanha deixou claro que não dará tal permissão ao australiano.
Na prática, isto significa que a partir do momento em que ele não estiver sob proteção diplomática equatoriana poderá ser preso pela polícia metropolitana de Londres.
No entanto, de acordo com o direito internacional e a Convenção de Viena, que regula as regras da diplomacia desde 1961, veículos e malotes para envio e recebimento de documentos diplomáticos não podem ser revistados, confiscados ou retidos.
Os malotes podem ser de qualquer tamanho, o que em tese abriria a possibilidade de Assange deixar o prédio em um container, mas as regras só valem para documentos e materiais de escritório.
Caso ele conseguisse embarcar em um carro ainda dentro das instalações da embaixada, estaria novamente vulnerável no momento de embarcar em um avião. Uma repórter da BBC, no entanto, constatou que a embaixada não tem estacionamento e por isso a possibilidade de que ele deixe o prédio sem passar pela porta de entrada -guardada por policiais desde a quarta-feira- é praticamente nula.
Especialistas apontam ainda que, no caso de as autoridades locais suspeitarem que o conteúdo de malotes ou veículos diplomáticos possa colocar a segurança do país em risco, abre-se caminho para que as regras internacionais sejam colocadas em segundo plano.
3. A polícia britânica invade a embaixada, prende Assange e o envia para a Suécia.
Na quarta-feira o Ministério das Relações Exteriores britânico enviou um comunicado ao governo do Equador dizendo que a Grã-Bretanha estava "determinada" em cumprir sua obrigação de extraditar Assange à Suécia e que de acordo com uma lei nacional poderia "revogar a imunidade diplomática" da embaixada e prender o australiano no interior do prédio.
A lei citada é de 1987, quando a policial britânica Yvonne Fletcher foi morta com um tiro disparado de dentro da Embaixada da Líbia em Londres.
Extraditado para a Suécia enfrentaria julgamento e poderia cumprir pena no país, ou, em uma situação temida pelo australiano e cogitada como altamente provável por analistas, seria entregue aos EUA.
Acredita-se que nos EUA ele poderia ser julgado por tribunais militares e poderia ser condenado à prisão perpétua e até à pena de morte.
A entrada dos policiais britânicos na embaixada, no entanto, poderia ser condenada tanto na Grã-Bretanha quanto pela comunidade internacional, e provavelmente criaria uma série de impasses para o país.
O Parlamento poderia questionar que, na criação da lei, a chancelaria britânica tinha em mente "situações extremas", como em casos de terrorismo. No cenário internacional, a medida não só violaria tratados como a Convenção de Viena mas também abriria um precedente desfavorável aos próprios britânicos.
Em 1988 a lei serviu de argumento para que a polícia londrina expulsasse "squatters" (pessoas que invadem e passam a morar em prédios de forma ilegal) que haviam ocupado a Embaixada do Camboja em Londres.
4. Assange fica por tempo indeterminado no interior da embaixada.
Não há regras no direito internacional que limitem o tempo em que uma pessoa pode ser abrigada em uma representação diplomática.
Em maio deste ano, após fugir da prisão domiciliar, o ativista chinês Chen Guangcheng foi abrigado pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim durante uma semana antes de receber o salvo-conduto para viajar ao país.
Em 1989, o presidente do Panamá, Manuel Noriega, ficou na Embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá após os EUA terem invadido o país para detê-lo. Os americanos instalaram alto-falantes em torno do prédio e o "bombardearam" com rock até ele desistir e ser preso.
Morgan Tsvangirai, líder da oposição do Zimbábue, abrigou-se na Embaixada da Holanda em Harare em junho de 2008. Em 2009 saiu como primeiro-ministro em um acordo de coalizão.
Em 1956, em meio à opressão soviética na Hungria, o cardeal Jozsef Mindszentry buscou abrigo na Embaixada dos Estados Unidos em Budapeste, onde ficou por 15 anos.
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Julian Assange

O equador concedeu o asilo,mas o Reino Unido ainda não deu sinal positivo de dar o caso por encerrado, para entender melhor a situação, compartilho o artigo do twitter que recebi:

Julian Assange: o Reino Unido pode retirar status diplomático da embaixada do Equador?

por CARL GARDNER em 15 DE AGOSTO DE 2012
Você precisa estar ciente de que existe uma base legal no Reino Unido, a Lei Diplomático e instalações consulares de 1987, que nos permitirá tomar ações para prender Assange nas actuais instalações da Embaixada.
Esperamos, sinceramente, que nós não chegar a esse ponto, mas se você não é capaz de resolver esta questão da presença do Sr. Assange, em suas instalações, esta é uma opção em aberto para nós.
A Lei 1987 , de fato, dar-ministros o poder de retirar o reconhecimento de instalações diplomáticas. Seção 1 (3), diz
Em nenhum caso é terra a ser considerado como instalações diplomáticas ou consulares de um Estado para efeitos de eventual promulgação ou Estado de direito, a menos que tenha sido tão aceito ou o secretário de Estado deu o consentimento do Estado sob esta seção em relação a ele, e se- 
(a), o Estado deixa de usar a terra para fins de sua missão ou exclusivamente para fins de um posto consular, ou 
(b) o Secretário de Estado retira sua aceitação ou consentimento em relação à terra, 
ele Então deixa de ser instalações diplomáticas ou consulares, para efeitos de todas as leis e normas de direito.
Em face disso, então, o Secretário de Estado (na prática, um ministro do Foreign Office) pode agora simplesmente retirar o consentimento, e de um salto, a polícia estaria livre para fazer uma prisão.
Mas não é tão simples como isso. Você vai notar que a seção 1 (4) diz
O Secretário de Estado só dar ou retirar o seu consentimento ou retirar a aceitação, se considerar que para isso é permitido pela lei internacional
e que de acordo com a seção 1 (5), para decidir se a retirar o seu consentimento, o ministro
devem ter em conta todas as considerações materiais, e em particular, mas sem prejuízo da generalidade desta subseção- 
(a) para a segurança do público; 
(b) à segurança nacional, e 
(c) para o ordenamento do território.
A "conformidade com o direito internacional" exigência pode representar um problema, já que o artigo 21 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, requer o Reino Unido para facilitar a aquisição por parte do Equador instalações necessárias para a sua missão, ou assistir a obter acomodações. Não é óbvio isso permite que o Reino Unido apenas de-reconhecer as actuais instalações, sem ajudar arranjar algo novo.
Seção 1 (5) é interessante porque, apesar de a forma como a elaboração claramente pretende preservar a capacidade dos ministros, para ter em conta tudo o que acha relevante, eu não tenho nenhuma dúvida de advogados para o Equador poderia argumentar que a lista de três cores específicas preocupações o alcance das considerações dos ministros, o resultado sendo que apenas alguma dificuldade especial relacionados com a segurança ou para as instalações próprias poderiam justificar a suspensão.
Mais importante, eles pode-se argumentar que a presença de Assange na embaixada e conduta do Equador no abrigo ele não é uma consideração material, e que, desde que claramente está por trás da retirada, os ministros se na decisão de retirar seu consentimento, ter tomado em conta um fator irrelevante.
Além disso, haveria um argumento potencialmente forte para ser feito que os ministros tinham exercido o seu poder para um propósito impróprio não destinados pelo Parlamento quando se promulgou a legislação de 1987 - seu desejo de prender Julian Assange.
O Equador pode rever judicialmente a retirada proposta: Eu acho que o efeito sobre Assange significa que este é o tipo de caso em que, como Sumption Senhor explicou em um recente discurso , os tribunais consideram intervir em uma decisão política externa. Talvez Assange poderia obter uma liminar na revisão judicial, impedindo qualquer prisão enquanto aguarda o resultado do processo. É claro que, se o governo combateu com sucesso fora que a revisão judicial, a prisão poderia ir em frente. Mas eu não acho que uma defesa seria fácil, e, no mínimo, uma revisão judicial poderia criar mais delongas - o que provavelmente se adapte às Assange bastante bem. Eu não tenho certeza de lhe dar um gancho para pendurar em um seria o melhor movimento tático para o governo.
A carta de Quito, do Reino Unido para o Equador passou aparentemente a dizer
Temos de reiterar que nós consideramos o uso contínuo das instalações diplomáticas, desta forma incompatível com a Convenção de Viena e insustentável e deixamos claro as sérias implicações que isso tem para as nossas relações diplomáticas.
Se eu fosse aconselhar o governo, eu acho que eu diria que, se os ministros estão determinados a permitir que a prisão de Assange, pode ser melhor simplesmente cortou relações diplomáticas com o Equador, enviar o embaixador casa, feche a embaixada e Assange prisão depois disso. Acabar com as relações diplomáticas é o tipo principal de decisão dos negócios estrangeiros duvido que os tribunais iriam interferir. Mas isso seria um importante convite diplomático.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A CARTA DA TERRA


 

PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos eqüitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano.
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA


1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a
prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA


9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes
desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com
transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas
atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.

IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ


13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca
iminente e conjunta por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.




Fontes: www.mma.gov.br/estruturas/agenda21/_arquivos/carta_terra.doc